Manu é uma mulher de coragem. Além de sua enorme contribuição na defesa da moradia e na luta das mulheres, ela colabora em outras frentes essenciais para Sorocaba, como o Conselho da Floresta Nacional de Ipanema (FLONA), o Comitê Regional de Enfrentamento e Combate ao Tráfico de Pessoas, a Comissão de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes (CEMEVES), Curso de Promotoras Legais Populares (PLP/Sorocaba) e a própria OAB.
A advogada, que recebeu como candidata a vereadora na última eleição 3.156 votos, escreveu muitos artigos, e palestrou sobre Direito e Cidadania em diversos lugares da cidade e da região. Hoje em dia, além da militância, faz parte do PT Sorocaba.
Manu Barros participou, desde 2002, ativamente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Sorocaba, em 2017 foi eleita pelo voto direto das membras como a primeira presidenta do Conselho, um fato histórico pelo CMDM ter 32 anos de existência e ser o mais antigo do Brasil.
No dia 15 de janeiro de 2018, o CMDM, por meio de eleição direta, elegeu suas 20 conselheiras (entre titulares e suplentes) e, entre essas esteve Thara Wells, a primeira mulher trans conselheira de um Conselho Municipal de Direitos da Mulher. Somado a isso, o trabalho de gestão do CMDM tinha como premissa a função de exercer a fiscalização dos órgãos de proteção e defesa da mulher na cidade de Sorocaba.
E assim, tristemente, uma perseguição política de vereadores da base do governo e do próprio prefeito começou, pois essas mulheres conselheiras passaram por uma campanha difamatória para descaracterizar toda a luta e deslegitimar a importância na defesa da mulher, incluindo denúncias falsas e anônimas de conluio e coação.
Na liderança de Manu Barros, o CMDM atuou de forma intensa em todas essas ações, sendo vital para uma sociedade saudável a promoção da igualdade e a luta contra a violência institucional de gênero, o que acabou por despertar a ira de pessoas poderosas que têm medo de mulheres que não fogem à luta.
Se não bastasse todo esse enfrentamento, aconteceu um episódio, no mínimo grotesco, em que uma bala de fúsil foi encontrada em um armário cedido pela própria prefeitura para o CMDM. As mulheres junto de Manu Barros se sentiram ameaçadas e elaboraram um Boletim de Ocorrência para os órgãos competentes. No entanto, nada foi feito.
Em dezembro de 2022, dia de novas eleições no CMDM, como uma estratégia do poder público para ocupar as vagas e pautar as demandas dentro das perspectivas que não contemplam os direitos humanos na sua universalidade, foi instaurado um caos, que atropelou os ritos do Edital e desmantelou toda a estrutura do CMDM.
Mas a história de Manu Barros e de tantas mulheres sorocabanas jamais irá parar. Por isso, mesmo com essas situações de desrespeito e opressão, a vida ensina que sempre é necessário seguir em frente. Dessa forma, Manu Barros continua na luta pelos direitos das mulheres sorocabanas.